Liverpool tem uma história de amor muito interessante com o Titanic. Embora nunca tenha saído do porto scouser, boa parte do navio foi construída aqui, à beira do Mersey. Esse ano, em comemoração aos 100 anos do navio inafundável, Liverpool inteira vai se envolver num projeto maravilhoso chamado Sea Odyssey Giant Spetacular, a busca de uma garotinha gigante por seu tio, irmão de seu pai, que morreu no oceano. A “odisseia” começa na próxima sexta-feira, dia 20, e termina no domingo, e essa é a rota que ela vai fazer pela cidade.

Eu, que adoro intervenções urbanas e garotinhas creepy cantando sozinhas, estou decidida a perseguir a menina e o tio por Liverpool. Mal vejo a hora, ainda mais porque finalmente decidi o tema da minha dissertação e acho que tem muitos elementos em comum. Na verdade, acho sinceramente que vou chorar. Haha

(E pra quem fica falando que quer ir para Londres, Londres, Londres… me liga quando tiver dois gigantes andando dramaticamente por lá, ok? Hmpf!)

Conheci o Albert Dock algumas semanas depois de ter me mudado para Liverpool, já que alguns dos passeios mais legais relacionados a Beatles começam nas docas. Da primeira vez que estive lá, não tive muito tempo para explorar, porque estava aguardando a Magical Mystery Tour (que logo mais vai ganhar um post por aqui). Mas quando tive a chance de visitar as docas pela segunda vez, percebi que o lugar, com ou sem Beatles, é bem legal – e já virou um dos meus pontos favoritos da cidade. Eis os motivos:

1) O pôr-do-sol. Essa área das docas está cheia de banquinhos compridos para acomodar casais. E se você é um fã incontrolável de gaivotas, considere um bônus: dá para ver um monte delas andando na beira do mar.

2) A “London Eye” de Liverpool! Hehe.

3) As Super Lamb Bananas. Essas obras de arte são símbolo de Liverpool e foram criadas por um artista japonês chamado Taro Chiezo. Lembrando que o Albert Dock reúne algumas das galerias de arte mais importantes da cidade, como o Tate Museum e o Museum of Liverpool.

4) Navios-fantasma! \o/ Foi no Albert Dock que eu vivi minha primeira experiência como caçadora de espíritos. Infelizmente não deu muito certo, mas fazer o quê, né? (E desculpem pela qualidade dessa foto. Eu queria muito tirar uma do navio, mas estava tão escuro! :()

5) The Beatles Story. O mais incrível-sensacional-fantástico-estupendo-museu-dos-Beatles-que-merece-um post-só-para-ele-e-por-isso-não-vou-comentar-aqui.

6) Carrinhos de sorvete vintage. Assim, de bobeira. 🙂

7) A tradição dos cadeados. Casais apaixonados do mundo inteiro (é sério!) vão até o Albert Dock para selar a eternidade do romance com um cadeado com o nome dos dois preso nas correntes das docas. Fiz uma pesquisa básica no Google e, pelo que li, essa tradição só acontece em Liverpool e em Paris. Tão bonitinho. =”)

E aí, gostaram? Bem legal, né? Eu adoro esse lugar. Até resolvi caprichar um pouquinho mais no tratamento das fotos dessa vez. Um brinde ao Picnik! 😀

Desde que cheguei em Liverpool, tenho topado muito com essa frase aí do título. “You’ll never walk alone”, o lema do Liverpool Football Club, está espalhado pela cidade inteira. No começo, achava que isso acontecia porque o pessoal de Liverpool é realmente apaixonado por futebol – dá-lhe conversas com taxistas e vendedores sobre o grande Ronaldo. Mas depois de um tempo, a vida passando, comecei a sacar a verdade por trás dessa frase.

A verdade é que esse é o espírito de Liverpool. Essas quatro palavras estão espalhadas por aí como se fossem post-its para lembrar e informar que, em Liverpool, o abandono é opcional. Que por trás do sotaque curioso, dos trejeitos e das reações mais engraçadas do mundo (que merecem um post próprio), existe um povo muito acolhedor, caloroso e espetacularmente sensível. Talvez Eleanor Rigby estivesse procurando no lugar errado, afinal.

(E quando a saudade aperta a ponto de não caber mais dentro dos limites do sotaque, a surpresa boa é ver que nada mudou nas amizades do outro lado. Na minha cabeça, minha família incrível e meus amigos brasileiros andam o tempo inteiro ao meu lado. Mal sabem vocês. =))

Há dois meses e meio eu moro sozinha em Liverpool.

But I’ll never walk alone.

(A foto do post é da minha querida amiga Thais, uma das pessoas que está por perto mesmo estando assim lonjão de mim. =) E foi tirada num pub no Brasil! Ironias, né?)

(e pode clicar nas fotos para ampliá-las um bocadinho)

(juro que eu não queria dar um efeito dramático nessa foto, a câmera simplesmente tava no modo sépia, haha. dá pra ver o John Lennonzinho desenhado ali no canto?)

chegada na estação de trem =) (na câmera estava melhor, verdade)

a recepção calorosa no hostel (depois eu escrevo um post sobre ele)

já disse que é um hostel muito legal? hehe

Victoria Gallery and Museum, que fica dentro da universidade

Me perdi dentro da universidade e achei esse prédio lindo

we are demanding the sun ❤

Fim de tarde na catedral

bancando a cool com John Lennon na frente do Cavern Pub (o irmão gêmeo do Cavern Club, que merece um post só para ele.)

primeira semana na Inglaterra: check. =)

uhu!

I don’t know why you say goodbye I say hello

Então é isso, pessoal: cheguei em Liverpool.

E já fui embora. haha

Olhem só a tragédia. Meus tios incríveis toparam sair de casa cedinho e encarar mais de duzentas e cinquenta milhas de viagem rumo à cidade mais beatlemaníaca do mundo. A princípio, não era uma aventura tão ousada assim – a estimativa do GPS era de cerca de três horas de meia de viagem. Tudo certo. O problema é que aconteceu um acidente de trânsito dos brabos em uma das principais rotas de Liverpool e, bom, nem preciso contar o que sucedeu. A viagem de três horas e meia foi feita em dez horas. Fizemos um retorno esperto aqui, seguimos para o countryside e, de retorno em retorno, finalmente conseguimos ultrapassar o trecho bloqueado da estrada e seguir o caminho da roça.

Depois de doze CDs (incluindo dois que tinham entre 25 e 30 faixas, haha), mais de dez cidadezinhas, uma estátua enorme de urso no meio do nada, duas paradas e muitos cookies e risadas, chegamos à cidade maravilhosa da Inglaterra. Foi um contraste absurdo passar por todas aquelas estradinhas de terra e simplesmente chegar em Liverpool, ao som de Beatles, depois de tanto tempo na estrada. Só a entrada da cidade já mostrou que tudo estava valendo a pena: Liverpool é grande, iluminada, emocionante, agitada e e realmente especial. =)

Fui até a minha hospedagem, mas não tinha muita esperança de entrar: a gerente das acomodações já tinha ido embora. Well, that’s life. Hora de achar um hotel para passar a noite, né?

Pã.

Eu disse que Liverpool é uma cidade especial. Tão especial que estava acomodando um baita evento na noite de ontem. Não soubemos de muitos detalhes, apenas que era um evento do Labour Party e que lotou todos, todos, TODOS os hotéis. Tony Blair is in da house, imaginamos. Os atendentes do hotel que tentamos nos hospedar foram sensacionais e começaram a ligar pra cada-hotel-da-cidade, na esperança de achar algum lugar pra gente.

Full. Full. Fully booked. Resistance is futile. 

A solução veio em forma de nome engraçado: Runcorn, uma cidadezinha ao lado de L’pool que tinha um hotel com (poucas) vagas. É de onde estou escrevendo agora, por sinal. Volto amanhã para Liverpool, para a minha casa e para as aulas. Mas já guardo Runcorn no coração, que me tratou tão bem. =)

E vamos que vamos!