Hum, oi.

Percebi não faz muito tempo que esse blog se propôs a cobrir duas coisas bem diferentes: a vida em Liverpooland, com todos os seus Beasouros, diferenças e costumes, e também ficção científica e fantasia, que são meu objeto de estudo nesse ano. Aí fica um impasse. Como falar de assuntos tão diferentes num mesmo lugar, sem quebrar o interesse de quem lê?

A má notícia é que… eu não descobri como se faz. Pois é, uma pena. Então vou deixar esse filtro a seu cargo. =) A partir desse post, vou organizar minha vida de pesquisadora (ih, que chique) nas categorias “fantasia & fc” e “o curso”. O restante dos posts é sobre a vida longe de casa, desabafos e essas coisas que todo mundo vive por aí.

E para começar essa história de falar sobre meu curso, resolvi compartilhar a lista de leitura básica desse ano de uma das matérias que estou tendo nesse semestre, “Genre Definitions”. Lembrando que, nesse primeiro semestre, o foco do curso é ficção científica mesmo. A lista de livros de fantasia vai ficar para os meses seguintes. 😉

Ficção

Mary Shelley, “Frankenstein”
H.G. Wells, “The Land Ironclads”
Hugo Gernsback, “Ralph 142C41+”
William Gibson, “O contínuo de Gernsback”
Tom Godwin, “The Cold Equations”
Hal Clement, “Mission of Gravity /Whirligig world” (article)
George Orwell, “1984”
J.G. Ballard, “The Voices of Time”
Philip K. Dick, “Ubik”
Edgar Allan Poe, “A verdade sobre o caso do Sr. Waldemar”
H.P. Lovecraft “A cor que veio do espaço”
H. G. Wells, “Complete Short Stories”

Crítica e análise

William Atheling, Jr. (i.e., James Blish) More Issues at Hand (Advent 1970)
Mark Bould, et. al., Fifty Key Figures in Science Fiction (Routledge, 2010)
Mark Bould, et. al., Routledge Companion to Science Fiction (Routledge, 2011)
Damien Broderick, Reading by Starlight (Routledge, 1995)
John Clute, et. al., The Encyclopedia of Science Fiction (Orbit 1993: forthcoming online: see http://sf-
encyclopedia.com/)
Samuel R. Delany, The Jewel-Hinged Jaw (Dragon Press, 1977
Samuel R. Delany, “Science fiction and ‘Literature’ or, The conscience of the king” in David G.
Hartwell and Milton T. Wolf, Visions of Wonder (Tor, 1996)
David Duff (ed.) , Modern Genre Theory (Longman, 2000)
Alastair Fowler, Kinds of Literature: an Introduction to the Theory of Genres and Modes (Clarendon,
1982)
Ken Gelder, Popular Fiction: The Logics and Practices of a Literary Field (Routledge, 2004)
Carl Fredman, Critical Theory and Science Fiction (Wesleyan University Press, 2000)
Pavel Frelik, “Of Slipstream and Others: SF and Genre Boundary Discourses”. Science Fiction
Studies Vol 38 No 1 (March 2011), 20-45.
James Gunn & Matthew Candelaria, (eds.) Speculations on Speculation (Scarecrow Press, 2005)
James Gunn. Marlene Barr & Matthew Candelaria, (eds.) Reading Science Fiction (Palgrave, 2009)
Edward James and Farah Mendlesohn (eds.) Cambridge Companion to Science Fiction (Cambridge
U.P., 2003)
Fredric Jameson, Archaeologies of the Future (Verso, 2005)
Paul Kincaid, “On the Origins of Genre” Extrapolation. Vol. 44, No. 4 (Winter 2003) p. 409-419 / or
in What It Is We Do When We Read Science Fiction (Beccon, 2008)
Paul Kincaid, “What It Is We Do When We Read Science Fiction”, Foundation 78 (Spring 2000), p.
72-82 / or in What It Is We Do When We Read Science Fiction (Beccon, 2008)
Damon Knight, In Search of Wonder (Advent 1956, 1967, 1996)
Justine Larbalestier, The Battle of the Sexes in Science Fiction (Wesleyan University Press, 2002)
Farah Mendlesohn, Rhetorics of Fantasy (Wesleyan University Press, 2008)
Judith Merril, “What Do you Mean, ‘Science? Fiction?’ in Thomas D. Clareson, ed. SF: The Other
Side of Realism (Bowling Green University Popular Press, 1971)
Andrew Milner, “Tales of Resonance and Wonder: Science Fiction and Genre Theory”, Extrapolation
Vol 51 No 1 (Spring 2010), 148-169
John Rieder, “On Defining SF, or Not: Genre Theory. SF, and History” Science Fiction Studies 37
(July 2010), 191-209.
Adam Roberts, The History of Science Fiction (Palgrave 2006)
Joanna Russ, “Speculations: the Subjunctivity of Science fiction”: Extrapolation. Vol. 15, No. 1
(December 1973), p. 51-59
Joanna Russ, The Country You Have Never Seen (Liverpool UP, 2007)
David Seed, A Companion to Science Fiction, (Blackwell, 2005)
Darko Suvin, Metamorphoses of Science Fiction (Yale UP, 1979)
Sherryl Vint and Mark Bould, “There Is No Such Thing As Science Fiction” in Reading Science
Fiction, ed. Gunn/Barr/Candelaria (Palgrave, 2009)
Raymond Williams, Culture (Fontana, 1981) [see pp 193-7)
Lisa Yazek, Galactic Suburbia (Ohio University Press, 2008)

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o tal do curso

21/09/2011

É sempre igual: basta contar para as pessoas sobre o meu tema de estudo em Liverpool e as perguntas começam. Oi? Pós-graduação em ficção científica? Literatura fantástica? Acuma?

Sim, é tudo verdade. Esse curso se chama Science Fiction Studies, da Universidade de Liverpool, e é um dos únicos dessa área. Encuquei com ele em fevereiro desse ano (apesar de só ter tentado mesmo em agosto), depois de uma troca de emails com estudiosos de literatura fantástica. Alguns deles são bem legais e tenho algum contato até hoje, como o professor Bill Gray, da Universidade de Chichester, que edita e comanda Sussex Folktale Center das universidades de Chichester e Sussex, minhas primeiras opções de estudo. Ainda tenho a esperança de passear por lá e dar uma olhada nessas bibliotecas incríveis. ❤

Se você curtir o tema, também recomendo caçar Dimitra Fimi, professora especialista em Tolkien e que dá cursos online bem interessantes, e Ramsey Campbell, escritor de fantasia e sci-fi que me indicou a universidade.

Em geral, o forte da minha pós é ficção científica mesmo. Pórém, conversando com o professor-orientador, descobri que dei a maior sorte esse ano. Além de estudar Ursula Le Guin, que enveredou bastante pelos caminhos da fantasia, o segundo semestre vai ser experimentalmente mais voltado para o campo da literatura fantástica também. Tudo isso = muito amor. ❤

Então é isso aí. Próximo tópico? =)