hora do chá

27/10/2011

Uma das coisas mais deliciosas do meu curso – do qual eu quero muito falar com mais detalhes por aqui, mas ainda não consegui – é a diversidade da sala. Ao todo, somos sete alunos: quatro deles são ingleses, além de mim, uma garota americana e um pesquisador indiano que está fazendo o curso como complemento do seu PhD. Parece pouca gente, mas talvez seja isso o mais interessante, porque a troca de experiências é muito maior. Toda hora alguém apresenta um autor que os outros não conhecem; seja aquele escritora perdida do interior da Inglaterra que escreve ficção científica de primeira até aquele autor sérvio que sabe, de verdade, escrever uma boa história.

Zoran Živković é um exemplo do segundo caso e a razão desse post. Acabei de conhecê-lo por causa desse texto aqui (em inglês), que meu colega indiano compartilhou no grupo do Facebook da sala. Confesso que estava toda preocupada, lendo coisas para o meu primeiro ensaio da universidade (que eu entrego em 12 dias e contando), mas tive que dar uma paradinha para ler. Conta a história de uma mulher que, enquanto espera o trem, resolve entrar em uma casa de chás para matar o tempo. Ela dá uma olhada no cardápio (se sentindo toda corajosa por não ir direto no chá de camomila, o seu preferido) e começa a considerar os sabores de chá que nunca experimentou, até fazer uma escolha um tanto quanto curiosa: um chá de histórias.

[…] This was partially influenced by the brief recommendation next to it: “You need this.” The decisive element, however, was that she adored stories. She read them every day, as ritualistically as she drank tea. Whenever she was in low spirits, she would scold herself for living a better and fuller life in the world of stories than in the real world, but this dismal conclusion never dissuaded her from reading, and as soon as she got caught up in a story, her depression disappeared. Since she was already determined to try the most unusual tea, this was the right choice.

A trama se desenvolve de um jeito totalmente envolvente, mas vou deixar os spoilers de lado. 🙂 Só adianto que é um conto sobre histórias e leitores – e foi o que me trouxe até esse curso, no fim das contas. Não sei se você vai gostar do texto tanto quanto eu ou se vai ter pique para ler até o fim, mas uma coisa é certa: se as coisas estiverem complicadas, poucas coisas são tão boas quanto um chá de histórias bem saborosas. =)