Desde que cheguei em Liverpool, tenho topado muito com essa frase aí do título. “You’ll never walk alone”, o lema do Liverpool Football Club, está espalhado pela cidade inteira. No começo, achava que isso acontecia porque o pessoal de Liverpool é realmente apaixonado por futebol – dá-lhe conversas com taxistas e vendedores sobre o grande Ronaldo. Mas depois de um tempo, a vida passando, comecei a sacar a verdade por trás dessa frase.

A verdade é que esse é o espírito de Liverpool. Essas quatro palavras estão espalhadas por aí como se fossem post-its para lembrar e informar que, em Liverpool, o abandono é opcional. Que por trás do sotaque curioso, dos trejeitos e das reações mais engraçadas do mundo (que merecem um post próprio), existe um povo muito acolhedor, caloroso e espetacularmente sensível. Talvez Eleanor Rigby estivesse procurando no lugar errado, afinal.

(E quando a saudade aperta a ponto de não caber mais dentro dos limites do sotaque, a surpresa boa é ver que nada mudou nas amizades do outro lado. Na minha cabeça, minha família incrível e meus amigos brasileiros andam o tempo inteiro ao meu lado. Mal sabem vocês. =))

Há dois meses e meio eu moro sozinha em Liverpool.

But I’ll never walk alone.

(A foto do post é da minha querida amiga Thais, uma das pessoas que está por perto mesmo estando assim lonjão de mim. =) E foi tirada num pub no Brasil! Ironias, né?)

hora do chá

27/10/2011

Uma das coisas mais deliciosas do meu curso – do qual eu quero muito falar com mais detalhes por aqui, mas ainda não consegui – é a diversidade da sala. Ao todo, somos sete alunos: quatro deles são ingleses, além de mim, uma garota americana e um pesquisador indiano que está fazendo o curso como complemento do seu PhD. Parece pouca gente, mas talvez seja isso o mais interessante, porque a troca de experiências é muito maior. Toda hora alguém apresenta um autor que os outros não conhecem; seja aquele escritora perdida do interior da Inglaterra que escreve ficção científica de primeira até aquele autor sérvio que sabe, de verdade, escrever uma boa história.

Zoran Živković é um exemplo do segundo caso e a razão desse post. Acabei de conhecê-lo por causa desse texto aqui (em inglês), que meu colega indiano compartilhou no grupo do Facebook da sala. Confesso que estava toda preocupada, lendo coisas para o meu primeiro ensaio da universidade (que eu entrego em 12 dias e contando), mas tive que dar uma paradinha para ler. Conta a história de uma mulher que, enquanto espera o trem, resolve entrar em uma casa de chás para matar o tempo. Ela dá uma olhada no cardápio (se sentindo toda corajosa por não ir direto no chá de camomila, o seu preferido) e começa a considerar os sabores de chá que nunca experimentou, até fazer uma escolha um tanto quanto curiosa: um chá de histórias.

[…] This was partially influenced by the brief recommendation next to it: “You need this.” The decisive element, however, was that she adored stories. She read them every day, as ritualistically as she drank tea. Whenever she was in low spirits, she would scold herself for living a better and fuller life in the world of stories than in the real world, but this dismal conclusion never dissuaded her from reading, and as soon as she got caught up in a story, her depression disappeared. Since she was already determined to try the most unusual tea, this was the right choice.

A trama se desenvolve de um jeito totalmente envolvente, mas vou deixar os spoilers de lado. 🙂 Só adianto que é um conto sobre histórias e leitores – e foi o que me trouxe até esse curso, no fim das contas. Não sei se você vai gostar do texto tanto quanto eu ou se vai ter pique para ler até o fim, mas uma coisa é certa: se as coisas estiverem complicadas, poucas coisas são tão boas quanto um chá de histórias bem saborosas. =)

caçando estrelas

22/10/2011

Estudar ficção científica e ser um tipo patético de pessoa romântica dá nessas: ando meio obcecada por estrelas. Quando eu era pequena, tinha pânico de olhar para o céu à noite (pois é. vai entender. :)), mas depois de umas viagens de avião aqui e ali, posso até considerar que eu e o teto celestial temos uma parceria de relativo sucesso.

Foi aí que eu decidi, por brincadeira, procurar no Google os melhores lugares no Reino Unido para olhar o céu à noite. Nada de planetários e coisas assim: o céu sozinho. E não é que encontrei? O Telegraph e o The Guardian fizeram listas sobre o tema. Já estou escolhendo meus favoritos e vou me programar para checar esses céus nos fins de semana que vem por aí. (E contar tudo aqui no blog, claro!)

Viajar dá umas vontades curiosas, não?

Escolas da fantasia

12/10/2011

Muito, muito legal esse post do Topless Robot. Listaram os dez lugares mais legais para estudar no mundo da ficção nerd! Tem Hogwarts, Acampamento Meio-Sangue, Roke Island, o Instituto do Professor Xavier e minha mais recente queridinha, a Universidade Invisível. Vou colocar o ranking deles aqui, mas recomendo muito a leitura do post na íntegra!

10] Acampamento Meio-Sangue (Percy Jackson, de Rick Riordan)
9] Roke Island
(Earthsea, de Ursula Le Guin)
8] Academia da Lei (Juiz Dredd, de John Wagner e Carlos Ezquerra)
7] Starfleet Academy (Star Trek)
6] Escola Xavier para Jovens Superdotados (X-Men)
5] Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts (Harry Potter, de J. K. Rowling)
4] Oa (Lanterna Verde)
3] Universidade de Miskatonic (Herbert West–Reanimator, de H. P. Lovecraft)
2] Ordem feminina das Bene Gesserit (Duna, de Frank Herbert)
1] Universidade Invisível (Discworld, de Terry Pratchett)

Inspirador! =)

E ficaí a enquete: em qual escola fantástica você gostaria de estudar?

codinome

12/10/2011

É engraçado como até as pequenas coisas são diferentes quando você está longe de casa.

Para todo mundo que conversa comigo, eu não sou a Cláudia. Sou a Clória Óleeveaerea, do Brazeo. Moro – morava – em Sao Pawlow, uma cidade que nenhum dos meus colegas conhecia. (Me perguntaram se era perto do Rio de Janeiro.)

A gente muda mesmo sem saber. =)