Não tenho televisão aqui em Liverpool. Na Inglaterra, é preciso ter uma licença para assistir TV ou programas ao vivo por streaming no computador.. e é uma nota preta pra obter. Se você não tem a licença e o governo decide bater na sua porta, a coisa fica ainda mais feia: a multa pode chegar a mil pounds. Essa medida começou há poucos anos, como forma de diminuir a pirataria online, e deixa bastante gente irritada. Eu não ligo muito, porque basicamente só assisto seriados ou vou ao cinema. Mas nos últimos dias, decidi acompanhar um programa pelo Youtube: Desperate Scousewives

É, você leu certo.

O nome é uma paródia com a série americana, mas a trama não tem nada a ver. Basicamente, é um grupo de garotas solteiras-lindas-na-vida que mora em Liverpool e tem que lidar com dramas pessoais. Só vi o primeiro episódio até agora e sei que é bem bobo, mas vale cada segundo. Primeiro porque tem cenas absolutamente lindas da cidade, dos pontos turísticos e da magiiiia de L’pool. E segundo, meus amigos, porque você não vai encontrar o sotaque scouse tão concentrado em um lugar só. É basicamente um guia prático de como entender esse dialeto gracinha e maluco que só existe aqui. ❤ 

Se você não estiver fazendo nada, nada mesmo, e não tiver nada, nada mesmo melhor pra fazer, fica aí o primeiro episódioTem todos no Youtube, disponibilizados pela própria emissora, mas infelizmente não dá para incorporar o vídeo no post.

E tá sem legenda, é pra assistir na raça mesmo. 🙂

Aviso: é inevitável tentar imitar o sotaque depois. Tô treinando, gente, tô treinando

As últimas semanas aqui em Liverpool tem sido bem puxadas. No dia 27, eu e meus colegas temos que entregar dois ensaios, de matérias diferentes, para finalmente começarmos o segundo trimestre de aulas (que é o mais legal de todos, mas depois eu falo disso :)). Na próxima semana, também começam as reuniões com os orientadores da nossa dissertação final, de 15 mil palavras, que deverá ser apresentada a todos os alunos que fazem pós-graduação em literatura inglesa. É, pois é. Tá fácil não.

Deve ser por causa dessa tensão toda que minha amiga Flick começou seu convite de aniversário dizendo que sabia que todo mundo estava encalacrado até o pescoço de prazos e coisas pra fazer, mas que tinha uma proposta irrecusável para o aniversário dela. E tinha mesmo.

Uma murder mystery birthday party! =D

Achei que tinha entendido errado ou que estava lendo Agatha Christie demais, mas é isso mesmo. Basicamente, a festa tem um número bem pequeno de convidados e cada um é um personagem dentro de uma história que se passa nos anos 40. Durante o jantar, uma pessoa morre (é parte da história, tá gente? ninguém morre de verdade) – e todos se tornam automaticamente suspeitos pelo crime. O mais legal é que todo mundo recebe indicações de como deve se vestir e se comportar durante a festa… sem revelar os segredos por trás da história do seu personagem.

Acabei de receber a ficha da minha character. Ao que tudo indica, eu sou a “tia velha e esquecida” de um dos personagens da trama  e tenho um segredo de adolescência terrível. Devo usar peles falsas, um vestido de noite, um colar “de brilhantes” e, talvez, um chapéu.

A festa é na quarta que vem e eu garanto fotos. Se não me matarem antes, é claro.

De verdade? Os ingleses são jóia.