Fui para Manchester há algumas semanas  para um evento da faculdade, uma mesa-redonda sobre os trabalhos de Stanislaw Lem (um autor incrível, por sinal) e fiquei impressionada com a beleza da cidade. É tudo lindo. É tudo grande. É tudo iluminado.

E eu nem tinha visto a feira de Natal deles.

Mais do que um Feliz Natal, desejo que vocês conheçam e encontrem pessoas iluminadas pelo caminho. Pessoas que tenham a capacidade de fazer todos os seus dias brilharem. Esse, para mim, é o melhor presente possível.

E muito obrigada – sincero, doído, mais cafona que música do Michel Teló – a todo mundo que me ilumina. =)

Conheci o Albert Dock algumas semanas depois de ter me mudado para Liverpool, já que alguns dos passeios mais legais relacionados a Beatles começam nas docas. Da primeira vez que estive lá, não tive muito tempo para explorar, porque estava aguardando a Magical Mystery Tour (que logo mais vai ganhar um post por aqui). Mas quando tive a chance de visitar as docas pela segunda vez, percebi que o lugar, com ou sem Beatles, é bem legal – e já virou um dos meus pontos favoritos da cidade. Eis os motivos:

1) O pôr-do-sol. Essa área das docas está cheia de banquinhos compridos para acomodar casais. E se você é um fã incontrolável de gaivotas, considere um bônus: dá para ver um monte delas andando na beira do mar.

2) A “London Eye” de Liverpool! Hehe.

3) As Super Lamb Bananas. Essas obras de arte são símbolo de Liverpool e foram criadas por um artista japonês chamado Taro Chiezo. Lembrando que o Albert Dock reúne algumas das galerias de arte mais importantes da cidade, como o Tate Museum e o Museum of Liverpool.

4) Navios-fantasma! \o/ Foi no Albert Dock que eu vivi minha primeira experiência como caçadora de espíritos. Infelizmente não deu muito certo, mas fazer o quê, né? (E desculpem pela qualidade dessa foto. Eu queria muito tirar uma do navio, mas estava tão escuro! :()

5) The Beatles Story. O mais incrível-sensacional-fantástico-estupendo-museu-dos-Beatles-que-merece-um post-só-para-ele-e-por-isso-não-vou-comentar-aqui.

6) Carrinhos de sorvete vintage. Assim, de bobeira. 🙂

7) A tradição dos cadeados. Casais apaixonados do mundo inteiro (é sério!) vão até o Albert Dock para selar a eternidade do romance com um cadeado com o nome dos dois preso nas correntes das docas. Fiz uma pesquisa básica no Google e, pelo que li, essa tradição só acontece em Liverpool e em Paris. Tão bonitinho. =”)

E aí, gostaram? Bem legal, né? Eu adoro esse lugar. Até resolvi caprichar um pouquinho mais no tratamento das fotos dessa vez. Um brinde ao Picnik! 😀

Desde que cheguei em Liverpool, tenho topado muito com essa frase aí do título. “You’ll never walk alone”, o lema do Liverpool Football Club, está espalhado pela cidade inteira. No começo, achava que isso acontecia porque o pessoal de Liverpool é realmente apaixonado por futebol – dá-lhe conversas com taxistas e vendedores sobre o grande Ronaldo. Mas depois de um tempo, a vida passando, comecei a sacar a verdade por trás dessa frase.

A verdade é que esse é o espírito de Liverpool. Essas quatro palavras estão espalhadas por aí como se fossem post-its para lembrar e informar que, em Liverpool, o abandono é opcional. Que por trás do sotaque curioso, dos trejeitos e das reações mais engraçadas do mundo (que merecem um post próprio), existe um povo muito acolhedor, caloroso e espetacularmente sensível. Talvez Eleanor Rigby estivesse procurando no lugar errado, afinal.

(E quando a saudade aperta a ponto de não caber mais dentro dos limites do sotaque, a surpresa boa é ver que nada mudou nas amizades do outro lado. Na minha cabeça, minha família incrível e meus amigos brasileiros andam o tempo inteiro ao meu lado. Mal sabem vocês. =))

Há dois meses e meio eu moro sozinha em Liverpool.

But I’ll never walk alone.

(A foto do post é da minha querida amiga Thais, uma das pessoas que está por perto mesmo estando assim lonjão de mim. =) E foi tirada num pub no Brasil! Ironias, né?)